A produção artística de Mary Dutra tem como característica emblemática um jogo estético- fenomenológico onde o espaço e os sujeitos/objetos (in)humanos remetem a sensações, conflitos ou simplesmente a condições da vida urbana na contemporaneidade.

Para sua mais recente coletânea Mary, que descende de uma linhagem multigeracional de artistas plásticos, inspirou-se nas ̈técnicas de pintura ̈ geométricas herdadas de seu avô aliadas a sistematização matemática de seu pai a fim de criar uma concepção visual própria e interativa. Em outras palavras, em seu trabalho as variações de traços, formas e cores da natureza urbana — como o azul e branco do céu nublado sobre um toldo, ou o pôr-do-sol além do Morro da Urca — criam uma explosão de cores que não se deixam absorver pela urbanização.

Para a produção dessa coletânea, como os muralistas e graffiti artistas de sua geração, Mary optou por deslocar o processo de criação para o ar livre, a parte externa de seu estúdio/residência, para melhor captar a interação dinâmica sujeito-espaço – emoção de viver e estar simultaneamente dentro e fora de um centro urbano num locus histórico temporal e especifico.

Na coleção ̈REFRACTED – O NÃO ABSORVIDO ̈, a artista cria um espectro de conexão e interação entre os campos da arte e das ciências físicas e exatas. No campo conceitual da física, a cor (substantivo femininoabstrato) é a propriedade de uma radiação eletromagnética com cumprimento de onda pertencente ao espaço visível e, assim, capaz de produzir no olho humano uma sensação característica.

Cada tela expressa uma emoção singular dependendo do olhar do expectador nessa relação obra-apreciador. As formas orgânicas e geométricas propostas por Mary seguem concomitantemente retas e direções de uma expressão manual sem esboço, métrica e limites que fazem fluir um movimento de liberação e fuga do espaço urbano, conduzindo-nos à imersão neste horizonte a perder de vista. Sua expressão cresce a cada dia e esta coleção vem para invadir os sentidos da alma de cor e luz. Afinal, tudo que é cor é luz... REFRACTED – O NÃO ABSORVIDO.

Assim como Keith Haring (1958-1990), em suas obras icônicas da cultura underground de Nova York dos anos 80, Mary utilizou painéis de madeira pintados com jet que expandem seu conceito de direção. Cada tela possui de duas a quatro direções e foram produzidas em conjuntos de pares, trios, ou quadras.

 

Combinadas por ordens diferenciadas, as telas-murais podem variar em até 60 opções visuais distintas e interativas com o espaço de exposição — quer seja este uma galeria de museu ou espaço privado de uma residência. Com a precisão técnica de uma artista experiente combinada com o olhar criativo de uma jovem apaixonada e compromissada com a arte, Mary Dutra criou um conceito visual estético-dinâmico. A forma concreta e abstrata, assim como o interstício dos espaços publico e privados, se funde em um espetáculo de cores refratadas em diferentes ângulos. Produzindo, consequentemente, sentimentos no expectador e remetendo a experiências individualizadas de percepção a partir das formas abstratas do pôr-do-sol, nuvens, mar...Tais formas provocam sensações que variam de tranquilidade a inquietude diante da proposta artística.

RICK SANTOS

PHD. at State University of New York at Nassau
College Curator of Firehouse Plaza Art Gallery, NY

FALE COM A GENTE

ig.png
Acompanhe no instagram
youtube.png
Veja nossos vídeos no youtube
linkedin.png
Siga no LinkedIn
fb.png
Curta a página no facebook
inspira@abstratoazul.com.br
Rio de Janeiro, Brasil